A palavra parentalidade nos remete à uma relação entre um “adulto maduro”, responsável pelos cuidados, pela segurança e pelo desenvolvimento integral de um “indefeso”. A primeira representação para exemplificar esta relação seria o relacionamento entre pais e filhos.

“Quando se fala em Parentalidade Consciente, trata-se do fortalecimento dos pilares que estruturam o grupo familiar, da compreensão plena de que a família é a essência, a fonte primária dos valores e comportamentos desejados por uma sociedade justa e feliz através da competência de seus cidadãos”, explica Karla Beatriz Zippel, neuroeducadora parceira da Humana Mundi..

É inquestionável que, quanto mais investirmos energia numa relação tão primordial quanto a do núcleo familiar, maiores serão os ganhos sociais, emocionais e físicos, inclusive. Uma vez que trazer consciência à parentalidade envolve capacitar os adultos para questões que, eventualmente, estavam sendo negligenciadas e transferidas a outras instituições sem o devido cuidado. Segundo Zippel, é no ambiente familiar que ajustamos a máxima de ensinar o que somos e não o que sabemos. “Uma relação saudável pressupõe escuta, acolhimento e respeito e estabelece trocas equilibradas, levando-se em consideração a individualidade dos seus membros nas diferentes fases do seu amadurecimento”, diz.

O ser humano é um animal estritamente social. É através das relações que estabelece com outros seres humanos que o indivíduo se reconhece, reconhece sua importância, seu papel social e sua identidade. Na visão de Zippel, os primeiros contatos acontecem no seio da família, onde os comportamentos são intensamente modelados. “Quando a criança “vai para o mundo”, leva consigo o repertório de valores e comportamentos trazidos de casa e passa a utilizá-los e fortalecê-los com os grupos com os quais convive socialmente”, ressalta.

Para ela, cada indivíduo traz em si um repertório próprio e na convivência social, diversifica, fortalece e aprimora seus valores e se desenvolve, se autoconhecendo e amadurecendo competências humanas que enriquecem não só a si mesmos como pessoas e como a sociedade como um todo.

O que pode definir um desenvolvimento saudável é uma coerência entre o que se estabelece como “regra de convivência” e o comportamento efetivo dos adultos na convivência com as crianças. “A harmonia, a verdade, o equilíbrio e, principalmente, a humanidade daqueles que orientam e dão exemplo às gerações mais novas, enfatizando que assumir a humanidade significa, assumir os erros e as escolhas de forma integral e honesta, estabelecendo um diálogo verdadeiro e claro entre os membros da família, vai muito além do aparente, é a energia de um “código de conduta” baseado em afeto, respeito, lealdade e amor”, lembra Zippel.

Outro ponto é a comunicação, que é o meio através do qual o ser humano estabelece contato com outro. Os elementos que compõem esta ferramenta tão fundamental devem ser levados, na percepção da especialista, em consideração: tom de voz, postura corporal, expressão facial, vocabulário. Estes elementos, no diálogo entre pais e filhos, são extremamente importantes e vão muito além das palavras em si.

“Além disso, cabe salientar a importância da escuta. Nós seres humanos não temos facilidade em escutar, fomos treinados e estimulados a falar, portanto necessitamos nos dedicar ao exercício da escuta. No desenvolvimento das relações familiares, o exercício da escuta empática, do não julgamento, da coerência e da proporção das atitudes dos adultos em relação às atitudes das crianças vai estabelecendo uma identidade familiar que forjará o caráter dos filhos, honrando a dedicação dos pais e trazendo em si a marca de valores importantes para uma sociedade mais justa e amorosa”, finaliza Zippel.

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